23 maio 2009

Camila

Nos estudamos juntas quando tinhamos 7 anos. Melhores amigas, mas nessa idade melhor amiga não é muita coisa. Eu não esperava, de jeito nenhum, que algum dia eu fosse vê-la de novo. Simplesmente se foi. Acabou. Eu conheci ela um dia, mas os anos e a vida nos levaram à rumos diverentes. Sem dramas. Não é que eu não quizesse voltar a conhece-la, eu só aceitei o fato. Eu me lembro, hoje, que minha mãe e a mãe dela não se gostavam muito no inicio. Algum desntendimento no estacionamento da escolinha ("Olha onde estaciona, sua míope!" - "Míope é a vó!"). Mas elas acabaram tendo que se entender, porque a tal Camila era minha amiga.
Tenho apenas vislumbres daquela época. Numa aula comemorativa dos 500 anos do descobrimento, ela copiu minha resposta à uma pergunta da professora. Claudineia era o nome dela. Eu fiquei morrendo de raiva, mas passou rápido. Criança é facil. me lembro que na casa dela era cheio de troféus de natação, e que tinha uma esponja natural no banheiro. E me lembro de que a mochila dela era amarela, e tão pequena que cabia dentro da minha fácil.
Isso tudo lá em 2000. Eu tive oito anos pra me esquecer, pra fazer novas amiguinhas, me enfurecer com elas e arranjar outras. Isto não vêm ao caso. E depois desses 8 anos, eu descubri que a minha velha amiga está na minha nova escola. Não descobri sozinha, foi minha minha mãe que encontrou a mãe dela na reunião de pais e mestres. Não faz uma semana que eu a identifiquei. Ela está mudada, não lha teria reparado na rua se não me fosse indicada. Mas, olhando com atenção, pude encontrar algo nela que ainda permanecia. Seus olhos, são a única coisa que eu posso reconhecer do passado.
Daí vêm o meu dilema. Porque apesar disto, eu ainda não fui falar com ela. Eu não sei se ela me reconheceu. Talvez tembém ela procure uma razão para me abordar, ou não ache que valha a pena remexer o passado. Mas quem sabe. Depois de tantos anos de ceticísmo, acho que eu acredito em destino.