20 agosto 2009

Aquela que não tem rosto

É uma coisa engraçada, quando você começa a criar personagens, e eles se tornam invisiveis. Acho que minha personagem mais caracterizada chega a ser um pouco tola. Seu nome é A. Rhiannon e ela é um resquicio da mulher mais atraente que eu já fui capaz de imaginar. Meio infantil. Na verdade, ela existe na minha alma, desde a época em que eu andava sozinha pela escola, em algum lugar do primario, em círculos, imaginando histórias enquanto as outras crianças entavam no parquinho. É a personagem mais importante e a menos real de todas as que eu já pude pensar, porque no fundo ela é um pedaço de mim. De toda a força que eu queria ter quando era pequena, para me defender, e a garota que é amada por todos. É aquela pessoa que aparece no meio de qualquer historia e salva o mundo, metafóricamente falando, é claro. A. é tudo o que eu já imaginai, sonhei, tudo o que eu já quiz e não pude ter ou ser eu dei para ela. É o maior reflexo que existe do que eu queria ter sido. A parte mais íntima de mim.

Eu passo horas, dias, pensando nela. Pensando na sua personalidade, sua noção de ética. Cada traço de suas decisoes, em cada circunstancia. As vezes, ao pensar sobre determinana questão, não sei mais se estou pensando como A. ou como eu. Ou se no fundo não somos a mesma pessoa.
Há pouquissimo tempo atras, eu percebi como não consigo, de modo algum ver a aparencia dela. Eu a concebi primeiro como a perfeição física, depois como a imperfeição písiquica, e agora não conseigo mais ver o rosto dela.
Ela é clara como agua, no que diz respeito a carater, personalidade, mas eu não posso ver sequer o tom exato dos seus cabelos. Se eu pudesse cruzar com ela um dia na rua, não saberia quem ela é. É perturbador, como não reconhecer uma filha.
Nessa parte, foi que eu comecei a me perguntar quando foi que eu perdi as suas feiçoes. Até algums anos atras, eu poderia jurar que sabia como ela era, mas não a conhecia, ou a tinha desenvolvido completamente, e agora, que a conheço, parece que não posso ter as duas coisas. Ou o físico, ou o espiritual.
Eu não trocaria o espiritual por nada.