30 dezembro 2009

Sobre faculdade e tudo aquilo que eu NÃO quero ter que fazer.

Umas semanas atrás estava rolando a festa de formatura da minha irmã no ensino fundamental. Pessoalmente eu me diverti mais lá do que na minha própria, ano passado, por varias razoes. Primeiramente, porque eu meio que tinha uma rixa lendária com grande parte das meninas do meu ano, então, apesar das amizades, a tensão foi grande. Segundo, eu gosto bastante das colegas da Helena, e ainda não as conheço (com exceção de uma) muito profundamente (com exceção de uma), então foi uma festa mais amena. E terceiro, eu não era o centro das atenções. A festa era dela, então eu não tinha que me preocupar tanto com o vestido e maquiagem, ou tropeçar e cair da escada enquanto desce com o seu pai com todo mundo te olhando, ou ainda que minha coordenação seja uma droga e minha habilidade em valsa possa ser comparada ao meu conhecimento em mecânica e engenharia genética.



Outro ponto alto da coisa foi que eu reencontrei uma antiga professora minha da qual eu admiro muito e de que eu tinha muitas saudades. É claro que dei um abração nela e até fiquei um bom tempo com ela quando ela e mais outra professora foram bater um papo com a minha mãe. Super simpática, até convidou a gente para visitá-la nas férias, realmente muito gente boa. Mais para o fim do baile, quando uma boa parte das pessoas já tinha ido embora, eu e minha amiga Marcella fomos lá falar com ela, perguntar como ia a vida e tal (ela teve uns problemas e já não lecionava na nossa escola há alguns meses) e ela falou uma coisa que anda me incomodando.


Ela perguntou para minha amiga onde é que ela ia estudar, e sendo em um colégio publico, recomendou que fizesse os três anos nele. Inclusive porque sua própria filha, que fez todo o ensino fundamental em escola particular, iria fazer o ensino médio na publica. Para poder concorrer à uma vaga no PROUNI.


Se alguma vez na vida eu já considerei a hipótese de dar aula, foi por causa dessa professora. Porque eu podia ver, podia sentir que ela amava o que fazia. Foi por causa dela que pela primeira vez na minha vida eu deixei de ver a profissão dos professores como uma tragédia, um inferno, uma vida falida e sem dignidade, e passei a ver como uma dádiva, como uma coisa maravilhosa, que eu percebi a paixão de ensinar. Daí, a minha decepção.


Quer dizer que é isso? Simples assim? Então a idéia não é aprender, adquirir conhecimento, absorver cultura? O que é passado por essa idéia é que a única, essencial e verdadeira função do ensino médio é te mandar pra faculdade. Por esse ponto de vista a única função do ensino fundamental é te mandar para o ensino médio e assim por diante. Porra... tudo aquilo que você aprende é inútil, então? Só serve pra você passar na droga do vestibular, pra fazer uma droga de faculdade, onde você vai estudar apenas pra fazer as drogas das provas... e você ganha um diploma por isso!


E daí... que droga de profissionais são formados nesse sistema? Eles não são médicos, engenheiros, advogados por amor à profissão. Não o são porque sonharam com isso. São porque hoje, pra você ser alguém, você precisa de um curso superior. Não importa se você tem um negocio bem sucedido, sem faculdade, você ainda vai ser um ignorante incapaz.


Não estou dizendo que faculdade é inútil, que é errado se formar, eu estou dizendo que existem coisas mais importantes do que isso. No âmbito psicológico, no que se diz respeito a realização pessoal. Ninguém pode ser um bom profissional sem amar o que faz. Nem ser feliz.


Talvez, pragmaticamente falando, ela esteja certa. Afinal, profissionalmente falando, um diploma é praticamente fundamental. Pra se seguir uma carreira, é fundamental. Talvez nesse sentido ela esteja fazendo algo maravilhoso pela filha dela. Ainda assim eu esperava mais da pessoa que ela é.