18 janeiro 2010

Tchau, infancia!

Vou ser sincera: Eu mesma nunca me animei com a ideia de visitar minha avó nas férias. Porque depois que você vê todos os parentes, mata as saudades de todos, sempre fica algo do tipo "Bom, e agora". Criança não tem assunto com os mais velhos pra conversar, e os mais velhos não tem ânimo de criança pra brincar. Então era algo meio deprimente, do tipo pegar a coleção de botoes da tia e ficar 10 dias mexendo neles. E todo mundo parecia estar o tempo todo cuidando da gente (eu tenho uma irmã pouco mais nova que eu), querendo servir meu prato, coisa que em casa eu já fazia, e querendo que eu tomasse banho antes de escurecer pra não pegar friagem, e tomando todos os cuidados que criança detesta. Nenhuma criança quer ser chamada de criança, elas sempre se acham suuuper maduras.
E a comida. Contrariando todas as espectativas, eu NUNCA gostei da comida da minha avó. De jeito nenhum. Me embrulhava os estomago. Desculpa, mas é verdade. Eu também não gostava da casa. Era uma casa velha, úmida, fria, feia. Cheia de mofo nos cantos onde ningém mexia.

Então... há uns dois anos ela tinha se mudado de São Bernardo pra cá, (mais especificamente pra Cravinhos, eu moro em Ribeirao Preto que é do lado), porque o governo de São Paulo resolveu aumentar uma rodovia (Não sei qual) e todas as casas da rua foram despropriadas. Então ela teve que se mudar.

Há uns meses atraz, minha mãe e eu fomos visitar minha tia em São Bernardo, e minha mãe rosolveu ir lá dar uma olhada. No terreno, por que a casa já não estava lá.

Foi assim, depois de atravessar todo o bairo pra conseguir chegar lá, a "casa" parecia um canteiro de obras. Só montes de terra e areia por ai. Dava pra ver as fundaçoes, e isso me deixou muito mal. Não sei porque. Eu não gostava de lá, ou pensava que não gostava.

Agora, pensando nela, eu me lembro daquele gamado enorme que vinha lá do topo do terreno, das vezes em que eu desci rolando pela grama lá do fundo do terreno (ele era inclinado) até chagar ao portão, as vezes dando cambalhotas no caminho. De sair pelo terreno (ele era grande, apesar de valer pouco) caçando tipos diferentes de plantas e ervas, e procurar pinhazinhas na base do pinheiro, e espremendo laranjas. Que no dia seguinte não prestavam pra nada, é claro. Minha avó tinha uma profusão de tipos de laranjeiras e limoeiros, e meu pai pegava e cortava laranjas-lima pra nós, e elas eram tão doces...
Meu tio gostava de fazer broas de fuba quando estavamos lá. Acho que ele ficava feliz com a presença de mais pessoas na casa. Isso até 2002, quando ele faleceu com cançer no pulmão. Mas eu era muito nova pra ficar realmente triste.

Uma vêz, apareceu um sapo. Minha irmã ficou doida pra pegar. E foi lá que eu li meu primeiro livro da Agatha Christie. "A terceira moça". Foi o primeiro lugar que eu me lembro de ter visto minha prima Lais, sem ser em fotos. E uma vez, eu e a minha irmã tinhamos comprado aquelas bonecas de papel que tem roupas de papel pra vestir com umas preguinha que ficam dobradas, e fizemos toda uma novela com aqueles personagens. Cada uma tinha um casal. Não lembro os nomes dos meus, mas os da Helena era "Malu" e "Cadu". Já veio na revista. Eu nunca tinha visto aqueles nome, e pronunciava como "Málu" e "Cádu". Minha mãe tricotou uma blusa de lá pra mim e eu fiz um furo nela sem querer.

Eu acho, que apesar de tudo, eu era feliz lá. Bastante.