11 outubro 2010

Corra que os comentaristas vem ai!

Desde que me dei conta do barulho que certo post gerou nesse bloguinho as vezes até alienado, venho pensando em qual seria a melhor maneira de publicar esse texto. Não sabia qual era a melhor forma de exprimir essa idéia que não é nova, só é nova na minha experiência, e olhe lá. Na verdade, demorei mais do que devia pra descobrir o problema e mais ainda para escrever sobre ele. Vou partir do inicio.

O post é relativamente velho, do começo da vida do blog, e na verdade nem nasceu como um post pro blog. Explico: Eu estava numa onda de estudar direito, sei lá por que (na verdade, eu sei, mas é meio humilhante), e por conta disso começei a tomar interesse por toda e qualquer coisa que tivesse a ver com leis e crimes (que era mais ou menos minha concepção de direito na época - eu tinha 14 anos e meio cérebro). Ai, um belo dia, quando eu estava preparando meu almoço, começou a passar na tv a noticia de um homicidio bárbaro de uma menininha atirada pela janela. Tá, você já pegou. 
Eu sei que nos próximos dias (semanas, meses) só se falava de Isabela. "Isabela isso", "Isabela aquilo", e eu não podia deixar de pensar no assunto. Só que quanto mais eu pensava, menos sentido fazia. E quando as coisas não fazem sentido pra mim, a minha atitude natural é verificar se para os outros faz sentido. 
Foi o que eu fiz. Eu procurei uma amiga virtual e perguntei a opinião dela sobre o fato, e expus a minha. Só que eu jamais encontro essa garota on-line, então quando eu quero conversar com ela, o que eu faço é deixar recados imensos na caixa de entrada dela, e depois eu recebo de volta recados imensos e respondo com recados imensos...  No fim de tudo, eu tinha um texto mais ou menos pronto, falando sobre a minha visão do caso nardoni. Na época outra coisa que eu estava descobrindo era o Google Docs, e eu copiei o texto todo dos meus scraps e colei lá... e fui brincando, editando... Então chegou a hora de publicar. Publiquei. E depois de publicar, além de pegar o link para edição, eu podia utilizar varias outras opções de divulgação. Uma delas era publicar o artigo diretamente no blogger. E, como uma espécie de teste, eu publiquei. E foi esse teste, de muito longe, o meu artigo mais visitado e comentado. Esse texto, com erros de formatação, que lendo hoje eu achei mediocre, mal escrito, mal formulado, mal tudo, foi o mais visto do blog. Não sei bem se isso deveria me deixar feliz ou triste, mas na verdade, esse não é o tema do post.

O post ficou lá, esquecido por deus e por mim, mas em algum momento, ele foi recordado pelo google ou algo assim, e se encheu de comentários, alguns pérolas pela sua qualidade, outros, pelo seu absurdo. Eu acredito que os comentários vieram da época do julgamento, que reavivou a memória de todos sobre o caso, subiu a taxa de pesquisas sobre o tema e me trouxe a esse post de hoje. A @manunajjar postou outro dia no Sem Preceito um artigo sobre os comentários nojentos deixados em sites de noticias e os absurdos dos comentaristas. É mais ou menos algo assim que aconteceu nesse post, com a diferença que esse não é um site de noticias. Isso aqui é um blog pessoal, ou de opinião, ou o que seja, e eu posso perfeitamente dizer o que quizer. 
É dificil encontrar palavras para definir o que aconteceu alí. Seria cômico, se não fosse trágico. O espaço de comentarios virou um campo de batalha entre anonimos, com uns poucos nomeados afundando no meio. Tinha todo tipo de comentario, desde

Anônimo disse...
olha vc e muito burra porra [...] va da o cu na esquena que vc ganha mais filha da puta.
24 DE MARÇO DE 2010 22:49




até 


Anônimo disse...
Natalia Gruber, parabéns por sua coragem e independência intelectual.[...]
1 DE ABRIL DE 2010 16



(Clique nas datas para ler os comentários na íntegra)

É difícil saber, no meio dessa mistura, qual a melhor atitude a tomar. É como observar um microcosmo representando todo o comportamento humano. O Nobre e o Podre. Pode-se observar o melhor que as pessoas são capazes de fazer, que vem na forma de respeito, consistência, organização, até na hora de expressar opiniões contrarias as do post. Sim, houve pessoas que discordaram totalmente do que eu escrevi, e ainda assim mantiveram o nível, sem agressão, sem linguagem baixa, sem desrespeito. Mas claro que isso não é tudo.

Seria lindo, e utópico, se todos os comentários fossem úteis, cabíveis e construtivos para o post, seria até mais do que nós temos coragem de desejar,  mas mesmo não pedindo tanto, não podemos deixar que se instaure essa zona. E por zona, eu quero dizer desrespeito, agressão gratuita, e bandalheira, tudo isso simplesmente porque alguém não concordou com uma opinião pessoal. Eu conheço pessoas que chegaram a excluir seus blogs por não serem capazes de lidar com a trollagem as críticas, geralmente pouco construtivas, e isso é algo que me apavora. É verdade que a sensibilidade que cada pessoa tem à esse tipo de coisa varia de acordo com as experiências pessoais dela, eu, por exemplo, já fui tão criticada na vida que isso praticamente passa batido, correndo, inclusive, o risco de acontecer o inverso da história, isto é, deixar passar verdadeiras oportunidades de melhorar, rs. 

Mas pensando nesse tipo de coisa me veio um dilema: Existe uma atitude certa a se tomar em relação a esse problema? Eu nunca tive uma política de comentários, na verdade, como todo blogueiro iniciante que só pensa em como atrair mais comentários, eu sempre facilitei ao máximo para quem quer que quisesse comentar no blog. Sem moderação de comentários, necessidade de identificação, sem confirmação de palavras (sou péssima nisso, não acerto uma), sem traumas. Eu nunca nem coloquei aquelas regrinhas básicas em cima da caixa de comentários, deixei por conta do bom senso de cada um, e, tirando esse caso, nunca tive problemas. Mas isso me mostrou uma falha no meu sistema, pois como um câncer, a recorrência é sempre possível, e até provável; e o que farei eu nesse caso? Blogueiros conhecidos já falam com alguma freqüência de fechar a caixa de comentários. Espero que eu não chegue a esse extremo, mas isso mostra como até blogueiros experientes se sentem desmotivados com comentários agressivos e fora do assunto. 

Eu me sinto, ainda, inibida com a idéia de excluir ou censurar comentários, mas e se um dia isso se tornar necessário? Se não for possível acabar com a agressão sem tomar medidas drásticas? Quais são os limites a que estamos dispostos a ir? Ser blogueiro é estar constantemente exposto, mas será que não existe uma forma mais civilizada de lidar com a exposição? Sou a favor da liberdade, mas tenho medo do que ela pode me trazer.